Black Friday 2020: A maior de todos os tempos

Há longos 10 anos atrás, a Black Friday dava seus primeiros passos em terras brasileiras. O começo foi um tanto tímido, se comparado ao fenômeno que temos vistos em anos recentes, mas a Black Friday cresceu, se estabeleceu e hoje é, sem sombra de dúvida, o maior evento varejista do país, com um faturamento de mais de 3 bilhões de reais em apenas dois dias em 2019. Porém, agora as coisas mudaram. Depois de dezembro de 2019, com a pandemia de Covid 19, o mundo está se tornando um lugar muito diferente, e o mercado não escapa do “novo normal.” A crise se aprofunda, mas nem só de problemas vive o varejo em tempos de pandemia. Também existem oportunidades que se apresentam nesse cenário.

A “nova” Black Friday

Para começo de conversa, é preciso ter em mente que apesar de todos os pontos negativos, especialistas apontam que 2020 verá a maior edição da Black Friday brasileira de todos os tempos, o que acompanha a tendência de crescimento do evento anual. Contudo, nada será como antes: as empresas precisam se preparar para um cenário no qual as lojas físicas ficam em segundo plano, enquanto o segmento digital ganha quase todo protagonismo. Então, saiba de antemão que não é só em termos comerciais que você precisa estar preparado. O investimento em tecnologia será ainda mais fundamental.

Isso vale para todas as áreas, já que a identidade da Black Friday – e a do consumidor – mudaram. Se antes ela reunia empresas de bens duráveis que queriam popularizar suas vendas online, agora a generalização dá o tom: todo mundo quer seu quinhão, e desde restaurantes até players do segmento de tecnologia, passando por supermercados e pequenos comércios estão na Black Friday.

Desafios e oportunidades de uma nova realidade

Mas, isso já era uma tendência. O que faz desta edição realmente singular é seu contexto. Durante a pandemia, o varejo viu suas vendas caírem e está agora diante de uma crise econômica global. Ao mesmo tempo, o segmento online (por conta da necessidade de isolamento social), tende a se fortalecer e mostrar que é mesmo o elo mais forte da corrente. Em termos nacionais, estamos diante de um mercado que se mantém no limite, seguro por medidas de auxílio governamentais que trazem incerteza quanto a sua duração, mas ao mesmo tempo, observamos uma demanda reprimida que provavelmente se dissipará durante a Black Friday, quando os consumidores devem aproveitar os descontos e antecipar as compras de final de ano.

Por isso, ainda que o varejo como um todo esteja em crise, os players do setor devem encarar a Black Friday com otimismo, já que as transações online estarão a todo vapor. Mas atenção: se seu negócio não possui força no campo digital, é o momento de pensar seriamente em se atualizar. A hora de se planejar é agora. Aliás, já passou da hora. Engana-se quem pensa que instabilidade, picos de acesso e ciberataques já são problemas superados. Pelo contrário, vimos os picos de acesso trazerem sérios problemas para as lojas online em momentos tão recentes quanto junho passado, no dia dos namorados. Assim, contar com um suporte tecnológico robusto é imprescindível, ainda mais quando sabemos que as vendas online vão não apenas seguir o curso natural de crescimento, mas que também substituirão grande parte das transações offline.

A pandemia fez com que a transformação digital passasse a acontecer em um ritmo muito acelerado, em grande medida por conta dos novos hábitos do consumidor, que fizeram com que os varejistas perdessem o medo de ousar, e passassem a implementar cada vez mais estratégias digitais. Quem nunca tinha comprado online antes, passou a comprar. Quem já comprava, passou a usar e-commerces para tudo. Só que nem sempre os players estão realmente preparados para isso. Ao migrar para o online, o cliente passa a exigir uma maior eficiência no tempo de entrega, facilidade de troca, catálogos mais detalhados com fotos de alta qualidade, facilidade de pagamento e tudo o que torna uma jornada de compra confortável e atrativa.

O fim do varejo tradicional

Então não se trata apenas de manter os clientes que já estavam no digital, mas também de não perder aqueles que optavam pelas transações físicas, e agora não vêem outra maneira de comprar senão online. .claro que sempre se pode ir “de improviso”, criando estratégias online imediatistas para manter a base, mas fidelizar clientes e conseguir novos consumidores exigirá mais que isso, e irá requerer muito planejamento.  Algo que vale, inclusive, para varejistas de todos os tamanhos e segmentos: a transformação digital, hoje mais que nunca, é para todos, já que potencial do mercado online no Brasil é imenso, com  230 milhões de smartphones, 150 milhões de usuários de WhatsApp e 80% de casas com acesso à internet.

Em suma, o que queremos dizer é que já havia um imenso crescimento das transações online, e que este crescimento foi alavancado pela pandemia, que também fez com que as lojas físicas enfrentassem sérios impedimentos. O que está ocorrendo é uma grande aceleração da transformação digital, que como toda mudança, será inexorável: uma imensa parcela dos consumidores que se viram obrigados a optar pelo varejo online seguirá comprando dessa forma. O que faz desta Black Friday não apenas uma excelente oportunidade para quem já está bem estabelecido virtualmente e para quem souber se estabelecer, mas também um “balão de ensaio” para testar e implementar estratégias que sejam condizentes com as novas regras do jogo. Basta prestar atenção aos números para enxergar a urgência de estabelecer uma boa presença digital: de janeiro a maio, o e-commerce cresceu 60%, representando hoje 5,8% do varejo brasileiro. Até o fim do ano, a taxa deve bater os 8%.

Vamos encarar a realidade: varejo como conhecíamos morreu. Diga adeus às lojinhas exclusivamente físicas, aos vendedores passivos, os horários comerciais e que tais.Lojas físicas ainda existirão para garantir a presença dos comércios em pontos vitais, mas sua utilidade estará muito mais relacionada à experimentação de produtos, realização de retirada de mercadoria e trocas.

Esta será afinal, a Black Friday que marcará uma revolução no varejo. Planejar-se para ela é adaptar seu negócio para a sobrevivência a longo prazo em uma nova realidade. Esperar não é uma opção. Somente os que forem aptos irão seguir no jogo, e, entre estes, os que melhor souberem aproveitar insigths como os presentes neste artigo deverão se destacar, e fazer parte dos cases de sucesso no varejo do século XXI.

Artigos recomendados